O Cangaceiro e o Fantasma
- Roberto Beltrão
- há 11 minutos
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Você acredita que um cangaceiro aposentado foi à polícia para prestar queixa contra fantasma? Isso só poderia ter acontecido no Recife, a cidade mais assombrada do Brasil.

A reportagem foi publicada na edição do Diário de Pernambuco do dia 24 de maio de 1970 com um título bem inusitado, mesmo para os padrões da imprensa da época.
“Alma de cangaceiro atemoriza ancião que recorre à polícia amedrontado”

Pela primeira vez no Recife, um homem compareceu à polícia para solicitar providências contra um fantasma. De acordo com a reportagem, esse fato ocorreu na Delegacia de Boa Viagem, e o queixoso é José Bernardo da Silva, um ancião de 76 anos, natural de Juazeiro e que reside num casebre, no Mata Sete (que hoje é chamada de "Comunidade do Entra a Pulso") também na zona sul da cidade.
E segue a reportagem: "exatamente às 10 e 15 horas de ontem, um preto velho (aqui um traço racista da imprensa da época) chegando à Delegacia do 7.o Distrito Policial pediu para falar com o delegado José Américo. O comissário Paulo Moça tentou resolver o caso, porém o velho afirmava que era um caso muito sério que só poderia ser solucionado pelo delegado. Com essa argumentação foi conduzido ao gabinete do titular do 7.o DP."
"Logo que entrou, José Bernardo tirou o chapéu, fazendo um cumprimento, pedindo em seguida para que as janelas e as portas fosse trancadas. Sua cara era de medo e o delegado atendeu à solicitação, pedindo em seguida para que ele relatasse o que o atormentava. Ao receber a resposta, o delegado ficou sem saber o que fazer, pois o velho disse com uma voz arrastada:"
- Doutor, eu estou sendo perseguido pelo fantasma do homem que matei!
"José Bernardo começou a contar a sua história: Nascera na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará. Num dia de domingo do ano de 1934, ele estava tomando uns tragos com uns amigos e comentando as façanhas de Lampião - quando apareceu um cabra que começou a falar mal do Rei do cangaço."
"O sujeito dizia que Lampião só era macho quando estava cercado de cangaceiros. Ao ouvir isso, o sangue me subiu à cabeça de José Bernardo. Ele e mais três companheiros começaram a agredir o estranho. Mas cabra facilmente derrotou os quatro na porrada!"
José Bernardo disse que estava com o rosto ensanguentado e um braço quebrado. Mas, quando se recuperou da surra, ele não se conformou: foi em casa buscar uma arma e, no mesmo dia, matou o homem numa tocaia.
Porém, antes de morrer, o valentão jurou que iria voltar do Além para perseguir José Bernardo por toda a eternidade! E, de fato, depois desse dia não José Bernardo não teve mais paz. Fugiu para não ser preso e se juntou aos cangaceiros. Mesmo assim, todas as noites a alma pendas aparecia dizendo e que queria levar o seu assassino! Por fim, o idoso apelou ao delegado:
- Não aguento mais e por isso vim pedir sua ajuda!
Não era para menos. Imagine ser perseguido por um fantasma durante 36 anos?
A reportagem do Diário de Pernambuco diz que o delegado José Américo ficou meio embaraçado por nada poder fazer pelo ancião. Só prometeu levá-lo a um psiquiatra. José Bernardo concordou com a proposta do delegado, porém solicitou que ele arranjasse uma bala de prata.
Pois é: José Bernardo acreditava que com uma bala de prata mataria o fantasma do cabra valente. Mas bala de prata não é pra matar lobisomem? E, depois disso, a gente não sabe o que aconteceu com o velho José Bernardo. Dica aqui nos comentários qual pode ter sido o destino dele.
Veja um vídeo sobre este caso:





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